# Gunpoint: o jornalista que fez um jogo com US$ 30

> Gunpoint é um jogo de espionagem lançado em 2013 por Tom Francis, que escrevia na revista PC Gamer e não tinha formação em programação. Ele fez o jogo nas horas vagas, com o Game Maker 8, um programa de 30 dólares, e chamou artistas e músicos. Levou cerca de três anos, sem IA, e o caso dele é uma exceção.

Resumo para quem está com pressa

- Tom Francis era editor da revista PC Gamer, no Reino Unido, e não tinha formação em programação, segundo a Wikipedia.
- Em maio de 2010, ele anunciou no próprio blog que ia fazer um jogo, e se descreveu como alguém sem tempo e sem experiência.
- A ferramenta foi o Game Maker 8, um programa de fazer jogos que custou 30 dólares, o único gasto direto do jogo, segundo ele.
- A arte ficou com dois artistas e a música com três músicos, que ele chamou pelo blog.
- O Gunpoint saiu em 3 de junho de 2013, cerca de três anos depois do começo (conta nossa).
- Segundo o autor, os 30 dólares voltaram 64 segundos depois de abrir a pré-venda, e ele saiu da revista para fazer jogos.
- Em outubro de 2026, 97% das 8.238 avaliações em inglês na Steam eram positivas.

Seu primeiro passo: Escreva numa frase o que você mudaria num jogo de que gosta, como Tom Francis fazia nas críticas que escrevia, e guarde essa frase como a semente do seu jogo.

Por Daniel Novi. Publicado em 26/10/2026. Revisado em 26/10/2026. Endereço: https://www.gamearchitectsai.com/historias/gunpoint

## Quem é Tom Francis?

Tom Francis é o autor do Gunpoint, e quando começou o jogo ele escrevia sobre jogos: era editor da PC Gamer, uma revista de jogos de computador do Reino Unido[1]. Não tinha formação em programação[1].

O que ele tinha era anos de críticas. Nelas, sempre sugeria como um jogo poderia ser melhor, e a ideia do Gunpoint nasceu desse hábito[1]. Querer fazer o próprio jogo era antigo: ele escreveu que era algo que queria fazer havia boa parte da vida adulta[2].

## Como um jornalista sem experiência começou um jogo?

Começou com uma desculpa a menos. Em maio de 2010, Tom Francis contou no blog dele que o Spelunky, um dos seus jogos favoritos, tinha sido feito por uma pessoa só, num programa chamado Game Maker[2]. Para ele, isso tirava a última desculpa para não tentar[2].

No mesmo texto, ele se apresentou como alguém com "little time, less talent and no experience", pouco tempo, menos talento e nenhuma experiência[2]. Chegou a abrir o código do Spelunky para aprender, e achou difícil demais para ele[2]. Previu que só fazer o personagem se mexer bem levaria uns seis meses[2].

O programa escolhido foi o Game Maker 8, um programa de fazer jogos que custou 30 dólares[1]. Foi o único gasto direto do jogo, segundo ele[3]. Em cerca de um mês, já havia uma primeira versão jogável, que ele mostrou no blog[1].

## Ele fez o jogo sozinho?

Não. O código e o desenho do jogo (as regras, as fases) ficaram com ele, mas a arte e a música vieram de fora[1]. Em 2011, ele pediu no blog que artistas mandassem amostras, recebeu muito mais do que esperava e escolheu dois: John Roberts e Fabian van Dommelen[1]. A música ficou com três músicos chamados do mesmo jeito: Ryan Ike, Francisco Cerda e John Robert Matz[1].

Tudo isso nas horas vagas, enquanto continuava trabalhando na revista[1]. O jogo saiu em 3 de junho de 2013, para computador[1]. Do anúncio no blog ao lançamento foram cerca de três anos (conta nossa).

## Como se joga o Gunpoint?

Você é um espião que trabalha por encomenda e invade prédios para roubar informações[1][4]. O prédio aparece cortado ao meio, como uma casa de bonecas, com os andares, os guardas e os fios à mostra.

A ferramenta principal é o Crosslink, um aparelho que mostra os circuitos do prédio e deixa você religar um objeto a outro[1]. Um interruptor de luz passa a abrir uma porta trancada; ou passa a abrir um alçapão, e o guarda que vai acender a luz cai no andar de baixo[4].

A graça está nessa troca: o jogo dá as peças e você inventa a saída. Os guardas andam armados, e ser visto é morte na hora, uma escolha do autor para que as armas fossem levadas a sério[1]. No fim de cada missão, você recebe nota pelo tempo, pelo barulho e por quantas vezes foi visto[1]. O jogo ainda vem com um editor de fases[1].

## O jogo deu certo?

Deu, segundo o autor e a crítica. Tom Francis contou que os 30 dólares do programa voltaram 64 segundos depois de abrir a pré-venda; contando a divulgação e os contratos, o gasto voltou em algumas horas[3]. A pré-venda passou do que ele esperava, e ele saiu da revista para fazer jogos em tempo integral[3].

A crítica gostou: a média no Metacritic, site que junta as notas das revistas, ficou em 83 de 100[1]. A própria PC Gamer não publicou nota, para evitar conflito de interesse[1]. Em outubro de 2026, 97% das 8.238 avaliações em inglês na Steam, a maior loja de jogos de computador, eram positivas[4].

Depois vieram o Heat Signature, em 2017, e o Tactical Breach Wizards, em 2024, pelo estúdio dele, a Suspicious Developments[1]. Em 2015, ele lançou uma série de vídeos para ensinar quem nunca fez jogo a começar, com o mesmo tipo de programa que tinha usado[5].

## Em números

| Dado | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Começo do jogo | Maio de 2010 | Pentadact, 03/05/2010[2] |
| Custo da ferramenta | 30 dólares, o Game Maker 8, único gasto direto | Pentadact, 18/06/2013[3] |
| Equipe | O autor, dois artistas e três músicos | Wikipedia[1] |
| Lançamento | 3 de junho de 2013, para computador | Wikipedia[1] |
| Tempo até o lançamento | Cerca de três anos (conta nossa) | Wikipedia[1] |
| Tempo para recuperar os 30 dólares | 64 segundos de pré-venda, segundo o autor | Pentadact, 18/06/2013[3] |
| Média da crítica | 83 de 100 no Metacritic | Wikipedia[1] |
| Avaliações na Steam | 97% positivas, de 8.238 em inglês (outubro de 2026) | Steam[4] |

## O que a história do Gunpoint mostra, e o que não mostra?

Mostra que alguém sem formação em programação fez um jogo elogiado, com uma ferramenta barata, nas horas vagas. Mostra também que a ideia veio do que ele sabia de sobra: anos jogando e criticando jogos (leitura nossa).

**O outro lado.** O Gunpoint não prova que é rápido nem que é fácil. Foram cerca de três anos de trabalho fora do horário do emprego, e o jogo não foi feito sozinho: teve dois artistas e três músicos. Tom Francis já trabalhava na área de jogos, conhecia o público e tinha um blog lido por gente da área, o que ajudou a achar a equipe e a vender. Ele não divulgou números de venda nas fontes que lemos. E é a história de um jogo que deu certo, contada justamente por ser rara: a maioria dos jogos lançados vende pouco.

## E o que mudou de lá para cá?

Esta parte não é sobre o Gunpoint, que foi feito sem IA. É sobre o trabalho.

Tom Francis previu seis meses só para fazer o personagem andar direito, e aprendeu a programar no caminho[2]. Hoje, essa parte pode ser feita pela IA: você descreve o que quer e ela escreve os comandos, o que ganhou o nome de [vibe coding](/guia/o-que-e-vibe-coding). Isso não deixa o trabalho fácil: testar, corrigir e decidir continua com você, e ninguém garante o resultado.

O que a IA não traz é o que ele tinha de sobra: saber o que faltava nos jogos de que gostava (leitura nossa). Se você quer ver outros casos, leia [quem já fez um jogo sem ser programador](/historias/quem-ja-fez-jogo-sem-ser-programador) e a história da [Masako Wakamiya, que fez um jogo depois dos 80](/historias/masako-wakamiya). Para entender a parte que mudou, veja [se dá para fazer um jogo sem saber programar](/comece-aqui/fazer-jogo-sem-saber-programar).

## Perguntas relacionadas

### Quem fez o Gunpoint?

Tom Francis, que na época era editor da revista PC Gamer, no Reino Unido. Ele fez o jogo nas horas vagas, com dois artistas e três músicos chamados por ele, e lançou em 3 de junho de 2013.

### Tom Francis sabia programar quando começou?

Não tinha formação em programação. No post em que anunciou o jogo, em maio de 2010, ele disse que não tinha experiência. Aprendeu fazendo, com o Game Maker 8.

### Quanto custou fazer o Gunpoint?

O único gasto direto foi o Game Maker 8, de 30 dólares, segundo o autor. Contando divulgação e contratos, ele disse que o gasto total voltou em algumas horas de pré-venda.

### Quanto tempo levou para fazer o Gunpoint?

Cerca de três anos, de maio de 2010 a junho de 2013 (conta nossa), nas horas vagas, enquanto ele trabalhava na revista. O jogo foi feito sem IA.

### Como se joga o Gunpoint?

Você é um espião que invade prédios. Com um aparelho chamado Crosslink, liga um objeto a outro, como um interruptor a um alçapão, para tirar os guardas do caminho. Se um guarda armado te vê, a missão acaba.

### Quanto o Gunpoint vendeu?

O autor não divulgou números de venda nas fontes que lemos. Ele contou que a pré-venda superou o que esperava e que, com o dinheiro, pôde deixar o emprego e fazer jogos em tempo integral.

### Tom Francis fez outros jogos?

Sim. Com o estúdio Suspicious Developments, lançou o Heat Signature em 2017 e o Tactical Breach Wizards em 2024.

## Fontes

1. Wikipedia, "Gunpoint (video game)" (cita Gamasutra, 21/01/2012, Ars Technica, 22/09/2011, e Engadget, 27/05/2013): https://en.wikipedia.org/wiki/Gunpoint_(video_game) (acesso em 25/10/2026)
2. Tom Francis, blog Pentadact, "Private Dick" (03/05/2010): https://www.pentadact.com/2010-05-03-private-dick/ (acesso em 25/10/2026)
3. Tom Francis, blog Pentadact, "Gunpoint Recoups Development Costs In 64 Seconds" (18/06/2013): https://www.pentadact.com/?p=6141 (acesso em 25/10/2026)
4. Steam, página oficial do Gunpoint: https://store.steampowered.com/app/206190/Gunpoint/ (acesso em 25/10/2026)
5. MCV, "VIDEO: Gunpoint dev Tom Francis teaches newcomers to make games" (07/01/2015): https://www.mcvuk.com/video-gunpoint-dev-tom-francis-teaches-newcomers-to-make-games/ (acesso em 25/10/2026)
